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O que há por trás da Autossabotagem? | Psicóloga Maisa Lanzarin

A autossabotagem é um processo que envolve pensamentos, sentimentos e comportamentos a partir da criação de empecilhos e problemas que impedem de se atingir um objetivo. Ela pode estar associada a uma crença de não-merecimento, incapacidade ou fracasso. Mas de onde vêm essas crenças, capazes de nos colocar nesse ciclo vicioso?


A autossabotagem é uma compulsão à repetição. Repetição essa gerada pela nossa forma de pensar e interpretar a realidade que faz com que acabe sendo natural fracassar ou ser desprezado/abandonado, por exemplo.


Durante a infância, temos necessidades emocionais básicas que precisam ser atendidas por pais ou cuidadores, que são elas: de vínculos seguros com outros indivíduos (segurança, estabilidade, cuidado e aceitação); de autonomia, competência e sentido de identidade; de liberdade de expressão, necessidades e emoções válidas; de espontaneidade e lazer e de limites realistas e autocontrole. Quando essas necessidades, por algum motivo, não são atendidas, desenvolvemos o que chamamos de esquemas desadaptativos – conjuntos de crenças acerca de nós mesmos, dos outros e do mundo que são distorcidas ou irracionais.

De acordo com a necessidade que não foi satisfeita, desenvolvemos um esquema desadaptativo nos seguintes domínios:


I – Desconexão e Rejeição: pessoas com esquemas neste domínio são incapazes de formar vínculos seguros e satisfatórios com outras pessoas, acreditando que suas necessidades de estabilidade, segurança, cuidado, amor e pertencimento não serão atendidas;


II – Autonomia e Desempenho Prejudicados: pessoas com esquemas neste domínio, quando crianças, tinham pais que satisfaziam todas as suas vontades ou os superprotegiam, prejudicando sua capacidade de se tornarem adultos independentes;


III – Limites Prejudicados: pessoas com esquemas neste domínio não desenvolveram limites internos adequados em relação á autodisciplina e podem ter dificuldade de respeitar direitos alheios ou manter compromissos, apresentando-se como egoístas, irresponsáveis ou narcisistas;


IV – Direcionamento para o Outro: pessoas com esquemas neste domínio enfatizam em excesso o atendimento às necessidades dos outros em lugar de suas próprias, a fim de obter aprovação, manter conexão emocional ou evitar retaliação;


V – Supervigilância e Inibição: pessoas com esquemas neste domínio suprimem seus sentimentos e impulsos espontâneos e se esforçam para cumprir rígidas regras internalizadas com relação a seu próprio desempenho.


Mas afinal, o que os esquemas têm a ver com a autossabotagem?


Uma pessoa com o esquema de Abandono/Instabilidade, pertencente ao domínio I (desconexão e rejeição) tem a distorcida percepção de que os outros com quem poderia se relacionar são instáveis e indignos de confiança, imprevisíveis e que poderiam lhe abandonar a qualquer momento. Assim, diante de um relacionamento, essa pessoa poderá ter três tipos de comportamentos diferentes: 1) tendência escolher parceiros que não estejam disponíveis para um compromisso, a fim de reforçar a crença de que é indigno de amor; 2) evitar a qualquer custo relacionamentos íntimos, pelo medo do abandono ou 3) “agarrar-se” ao parceiro, de forma a “sufocá-lo” por medo de perder. Ou seja, a AUTOSSABOTAGEM presente nos três modelos de comportamento.


Um segundo exemplo é uma pessoa com esquema de Fracasso, pertencente ao domínio II (autonomia e desempenho prejudicados) que tem a falsa ideia de que o fracasso é inevitável, acompanhado da crença de que é “burro”, “sem talento” ou “inferior”. Assim, ela apresentará outros três tipos de comportamento: 1) fazer coisas com pouca dedicação ou de forma descuidada, a fim de reforçar que, de fato, é um fracasso; 2) evitar completamente desafios profissionais ou 3) tornar-se uma pessoa bem-sucedida a partir de estímulos ininterruptos, ou seja, uma cobrança excessiva que o faça se envolver em atividades que lhe levem à exaustão, a partir da necessidade de provar constantemente que NÃO é um fracasso – ou seja, atinge o objetivo, mas a que custo? Novamente, a autossabotagem nos comportamentos citados.


Portanto, a autossabotagem está relacionada a percepções/crenças distorcidas que construímos a partir de nossas experiências de vida – esquemas desadaptativos – que se iniciam na infância e perduram durante toda a vida adulta.

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