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O que esperar do tratamento psicológico para bulimia?

Para entender como se dá o tratamento psicológico para transtornos alimentares, é necessário entender o funcionamento mental de pessoas com transtornos alimentares.


Pessoas com bulimia apresentam um funcionamento baseado no “tudo ou nada”. Pessoas bulímicas idealmente querem exercer o controle, assim como as anoréxicas, mas não têm tanto sucesso e acabam frustradas ao não resistirem à comida. De modo geral, apresentam um comportamento mais impulsivo e desorganizado. Em comum notamos que tanto anoréxicas quanto bulímicas experimentam um profundo sentimento de abandono, desamparo, incapacidade de enfrentar as exigências da própria vida e de modelar o próprio destino.



Todos os indivíduos sentem-se desamparados quando se faz necessário o desligamento dos progenitores em busca do próprio caminho, ou quando devem abandonar uma postura de vida até então confortável. Contudo, no caso dos transtornos alimentares, a sensação de vazio e solidão assume um caráter devastador. Nesse sentido, a busca de sensações como estar cheio ou vazio (compulsão alimentar versus comportamentos compensatórios, como provocar o vômito) pode substituir os sentimentos intoleráveis de perda.


As técnicas utilizadas no tratamento da bulimia nervosa (BN) objetivam a normalização do padrão alimentar e o desenvolvimento de estratégias para controle de episódios de compulsão alimentar (ECA) e dos comportamentos compensatórios. Além da auto-estima, a modificação da relação com a imagem corporal e a modificação do sistema de crenças disfuncionais.


Para a terapia cognitivo-comportamental, entre os fatores que contribuem para a ocorrência de episódios de compulsão alimentar está o pensamento "tudo ou nada", que consiste em pensar em termos absolutos e extremos. Assim, pessoas com bulimia adotam regras dietéticas inflexíveis e pequenos lapsos na dieta favorecem o abandono total do controle sobre a alimentação. Em geral, em vez de reavaliar a adequação da rigidez das regras dietéticas utilizadas, avaliam os lapsos como resultantes de suas deficiências pessoais, reforçando sua baixa auto-estima. Para estas pessoas, a magreza estaria associada à competência, superioridade e sucesso, tornando-se assim intrinsecamente associada à auto-estima.


Para modificar o sistema de crenças a terapia cognitivo-comportamental utiliza diversas técnicas. Uma delas consiste em ensinar a paciente a identificar pensamentos que possam conter alguma distorção. Em seguida ela é incentivada a analisar todas as evidências disponíveis que possam confirmar ou refutar o pensamento distorcido, tornando-o mais funcional.

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