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Dependência de Internet e Jogos Eletrônicos: Um Transtorno Real | Psicóloga Maisa Lanzarin

Com o avanço da tecnologia, os jogos mediados pela internet passam a ser uma opção de descontração e até mesmo como forma de ampliar círculos sociais. Pessoas acabam se conectando para o jogo online, criando grupos que se identificam pela prática em comum.


No entanto, a prática que era para ser momento de lazer acaba por criar um número cada vez maior de dependentes. Pessoas passam a ter suas atividades diárias prejudicadas pelo tempo excessivo gasto diante das telas.


O jogo pela internet é considerado um transtorno e tem alguns fatores responsáveis por manter seus dependentes. São eles:


Crenças sobre recompensas dos jogos: algumas pessoas consideram as recompensas nos jogos tão reais quanto as da vida real, como se quando o personagem do jogo alcança algo, elas sentissem que também o conquistam;


Regras mal-adaptativas e inflexíveis sobre os jogos: ideias sobre a necessidade de conclusão de um comportamento (não ficar satisfeito até atingir totalmente o objetivo do jogo ou desbloquear tudo nele), procrastinação (usam o jogo para não ter de fazer outra coisa, como tarefas de casa ou outras nas quais não se sentem motivados a fazer);


Autoestima fundamentada em jogos: sentimento de orgulho frente as conquistas nos jogos, sentir-se mais no controle quando está jogando ou utilizá-lo como forma de lidar com vulnerabilidade (“sem os jogos, eu não conseguiria lidar com o estresse na minha vida”) ou realização pessoal;


Jogo como meio de obter aceitação social: uso como forma de relação social ou prevenção social (“me protege de pessoas ou situações desconfortáveis”), bem como senso de aceitação e pertencimento.


Estudos sugerem fatores de risco associados à dependência de internet. Principalmente entre adolescentes, estressores sociais como conflitos familiares, além de depressão, uso de substâncias e Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Acredita-se que o uso da internet possa ser uma estratégia para lidar com problemas como solidão, conflitos familiares e sintomas na depressão.


De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V) alguns sintomas devem estar presentes para a avaliação dos prejuízos clinicamente significativos e do sofrimento. São eles:

  1. Ter preocupação com os jogos pela internet – definida como o tempo que o indivíduo pensa na partida anterior ou antecipa a próxima partida do jogo; o jogo pela internet torna-se a atividade dominante na sua vida diária;

  2. Apresentar sintomas de abstinência – tipicamente descritos como irritabilidade, ansiedade ou tristeza sem sinais de dependência farmacológica – quando os jogos são removidos;

  3. Necessidade de passar maior quantidade de tempo envolvido com jogos;

  4. Fracassar na tentativa de controlar a participação nos jogos pela internet;

  5. Perder o interesse por atividades de diversão, praticadas anteriormente, em consequência dos jogos pela internet;

  6. Fazer uso excessivo e continuado dos jogos, apesar de reconhecer os problemas psicossociais decorrentes;

  7. Enganar membros da família ou outras pessoas em relação à quantidade de tempo gasta com os jogos na internet;

  8. Usar os jogos pela internet para evitar ou aliviar um humor negativo (por exemplo, desamparo, culpa ou ansiedade);

  9. Colocar em risco um relacionamento, perder um emprego ou uma oportunidade educacional devido à participação em jogos pela internet.

Fonte: Sartes, L. M. A., Gomide, H, & Torres, G. N. (2020). Dependência de internet e de jogos eletrônicos: avaliação e tratamento.

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