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Autismo: Os principais sintomas, da infância à idade adulta

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é considerado um transtorno de neurodesenvolvimento, diagnosticado normalmente na infância. Suas características essenciais são prejuízo persistente na comunicação social recíproca e na interação social, bem como padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, sendo sintomas presentes desde o início da infância.

Manifestações do transtorno também variam muito dependendo da gravidade da condição autista, do nível de desenvolvimento e da idade cronológica; daí o uso do termo espectro.


A seguir, são descritas as principais manifestações do TEA na infância e na idade adulta.



Na infância:


Os sintomas costumam ser reconhecidos durante o segundo ano de vida (12 a 24 meses), a partir de atrasos precoces do desenvolvimento ou quaisquer perdas de habilidades sociais ou linguísticas. Os primeiros sintomas frequentemente envolvem atraso no desenvolvimento da linguagem, em geral acompanhado por ausência de interesse social ou interações sociais incomuns (p. ex., puxar as pessoas pela mão sem nenhuma tentativa de olhar para elas) padrões estranhos de brincadeiras (p. ex., carregar brinquedos, mas nunca brincar com eles), e padrões incomuns de comunicação (p. ex., conhecer o alfabeto, mas não responder ao próprio nome). Durante o segundo ano, comportamentos considerados estranhos e repetitivos e ausência de brincadeiras típicas tornam-se mais evidentes.


Déficits na reciprocidade socioemocional (capacidade de envolvimento com outros e compartilhamento de ideias e sentimentos) estão claramente evidentes em crianças pequenas com o transtorno, que podem apresentar pequena ou nenhuma capacidade de iniciar interações sociais e de compartilhar emoções, além de imitação reduzida ou ausente do comportamento de outros.


Um aspecto precoce do transtorno do espectro autista é a atenção compartilhada prejudicada, conforme manifestado por falta do gesto de apontar, mostrar ou trazer objetos para compartilhar o interesse com outros ou dificuldade para seguir o gesto de apontar ou o olhar indicador de outras pessoas.


Pode haver interesse social ausente ou reduzido ou atípico, manifestado por passividade ou abordagens inadequadas que pareçam agressivas ou disruptivas. Costuma existir uma falta de jogo social e imaginação compartilhados (p. ex., brincar de fingir de forma flexível e adequada à idade) e, posteriormente, insistência em brincar seguindo regras muito fixas.


Comportamentos estereotipados ou repetitivos também estão presentes. incluem estereotipias motoras simples (p. ex., abanar as mãos, estalar os dedos), uso repetitivo de objetos (p. ex. enfileirar objetos) e fala repetitiva. Além disso, dificuldades com pequenas mudanças na rotina e padrões restritos de comportamento que podem ser manifestados por resistência a mudanças.


Outros sintomas são os interesses altamente limitados e fixos (p. ex., criança pequena muito apegada a uma panela; criança preocupada com aspiradores de pó); e hiper ou hiporreatividade a estímulos sensoriais, manifestada por meio de respostas extremadas a sons e texturas específicos, cheirar ou tocar objetos de forma excessiva, encantamento por luzes ou objetos giratórios e, algumas vezes, aparente indiferença a dor, calor ou frio. Restrições alimentares são comuns também.


Na adultez:


Nos adultos, os déficits na reciprocidade socioemocional podem aparecer mais em dificuldades de processamento e resposta a pistas sociais complexas (p. ex., quando e como entrar em uma conversa, o que não dizer).


Déficits em comportamentos de comunicação não verbal usados para interações sociais são expressos por uso reduzido do contato visual, gestos, expressões faciais, orientação corporal ou entonação da fala.


A dificuldade para coordenar a comunicação não verbal com a fala pode passar a impressão de “linguagem corporal” estranha, rígida ou exagerada durante as interações. O prejuízo pode ser relativamente sutil em áreas individuais (p. ex., alguém pode ter contato visual relativamente bom ao falar), mas perceptível na integração insatisfatória entre contato visual, gestos, postura corporal, prosódia e expressão facial para a comunicação social. Pode haver interesse social ausente ou reduzido, manifestado por rejeição de outros.


Indivíduos com TEA podem relutar para entender qual o comportamento considerado apropriado em uma situação e não em outra (p. ex., comportamento casual durante uma entrevista de emprego) ou as diversas formas de uso da linguagem para a comunicação (p. ex., ironia, mentirinhas). Pode existir aparente preferência por atividades solitárias ou por interações com pessoas muito mais jovens ou mais velhas. Com frequência, há desejo de estabelecer amizades sem uma ideia completa ou realista do que isso significa (p. ex., amizades unilaterais ou baseadas unicamente em interesses especiais compartilhados).


Os padrões repetitivos e estereotipados também podem estar presentes na vida adulta, através da fala repetitiva ou uso estereotipado de palavras ou frases, perguntas repetitivas, além de interesses restritos ou fixos, como gastar horas escrevendo tabelas com horários, por exemplo. Dificuldades na mudança de rotina igualmente estão presentes, bem como uma rigidez de pensamento e insistência em aderir a regras.

O diagnóstico do TEA é realizado por meio de avaliação psicológica. O plano de tratamento é individualizado e envolve a aquisição de novas habilidades, tendo a psicoterapia cognitivo-comportamental e intervenção ABA como principais metodologias.

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